segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
O silêncio e eu
Gosto de escrever, assim, no silêncio. Ou deveria antes dizer: gosto de escrever. Gosto do silêncio. Mas só um pouco, no final do dia, para me encontrar novamente, sem correr o risco de ter que salvar alguma Barbie de um sapato que teima em não tentar no pé de Cinderella ou mesmo de fazer as legendas de um desenho elaborado. Gosto desta réstia de solidão, que me permite (iupi!) ter o WC só para mim e, inclusivamente, fechar a porta se me apetecer e sem ser convocada, sem meu ...consentimento, obviamente, uma reunião para esse local!
Sempre gostei dessa solidão, talvez porque me habituei a ela desde sempre, sempre gostei do meu espaço, sem que isso fizesse de mim uma pessoa só. Mas hoje, tirando estes momentos que me sabem tao bem ao final do dia, que já vai longo, assusta-me o silêncio. Porque o silêncio é a ausência da C. E a sua ausência, mesmo que por um bom motivo é sempre penosa para mim.
Portanto, fica registado que eu, mulher do silêncio, das lides solitárias e serenas, agora, só gosto dele, assim em doses individuais, como se de um pequeno café se tratasse, curto e forte, com tempo suficiente para se saborear, mas não demasiado longo para esfriar. Agora, quero é agitação, burburinho, vá, gritaria mesmo, que eu grito que se farta e pronto! Quero-te aqui, perto, muito perto, já que se foi o tempo agridoce em que te podia guardar em mim e para mim!
Porque é no silêncio que se escrevem estes devaneios, que sem silencio seriam ainda mais loucos, fico mais um pouco, velando um sono que é bravio e agitado, simplesmente como tu.
Até amanhã!
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