domingo, 6 de março de 2016

A inocência perdida às mãos de um pequeno déspota



(imagem retirada da net)

Recordo-me, quase que ironicamente, de, aquando da minha primeira gravidez, ter feito planos para o decurso da minha licença de maternidade; mesmo agora, com o distanciamento que o tempo e a experiência nos concedem, não consigo perceber se era inocência, esperança ou estupidez pura! :)

Não fiz grandes planos, mas, vivendo uma gravidez que implicava uma viagem diária de 140 km, os mesmos incluíam descanso, passeios e todas essas coisas relaxantes que qualquer pessoa com um recém nascido em casa, obviamente, pode facilmente fazer (or not)!! 

Não, eu não vivia noutro planeta! 

Sabia perfeitamente que os bebés dão (muito) trabalho, que mamam como uns bezerrinhos esfomeados, que sujam fraldas a cada mamada (às vezes antes e depois!), bolsam, sem querer saber se já estamos prontinhas para sair de casa ou que sejam 4 horas da manhã, (e lá temos que mudar toda a parafernália de bodies e calcinhas, apertando e desapertando molas minusculas que parecem ficar ainda mais complicadas a cada guinchadela que a cria solta no decurso do processo), que choram, quando sentem fome, a fralda suja, má disposição, cólicas, sono e mais uma infinidade de coisas. Eu sabia disto tudo! A sério que sabia, mas, achava eu, na minha inocência (desmedida, pois claro!), que eles dormiam na mesma proporção de que faziam todas essas coisas.. Erro meu!! 

Na verdade, meu e daquele que terá dito a célebre (e tão errónea!) frase "dormiu como um bebé"! Raios, como é que alguém nos pode enganar tanto, durante toda uma vida?! "Ah, e tal, dormiu que nem um bebé!" A pessoa assume que, no final de contas, os bebés dormem muito! E mais, assume que dormem bem! 

E de seguida somos brindados com um bebé que dorme pouco e mal..

Pronto, se calhar o erro foi do meu bebé, talvez mal configurado, mal formatado ou coisa que o valha (filha número dois, vê lá se desta vez vens devidamente configurada !).. E, num ápice vão-se todos os planos de qualquer espécie de relaxamento. Assim, de uma acentada só, que é para não haver mais ilusões e inocências, às mãos de um serzinho minúsculo, que acaba por se revelar um verdadeiro déspota controlador, mas que, ainda assim, numa relação de amor doentio, amamos mais a cada dia! 

terça-feira, 1 de março de 2016

Ter o coração fora do peito...



Pensei várias vezes no título deste post e, ainda que seja quase um lugar comum, a verdade é que nenhum outro me pareceu mais adequado.
Ser mãe é, de facto, na minha óptica (de utilizadora!) andar com o coração sempre nas mãos!

Isto poderá parecer um exagero, ou até demasiado pessimista, e assustar aquelas que ainda não são mães, mas é assim que o sinto. Não quero com isto que pensem que não me sinto feliz no meu papel de mãe, longe disso; é, de todos os papeis que tenho desempenhado ao longo da vida, aquele que mais me preenche e mais me completa, mas é também o mais difícil. Não há deixas, não há contraponto, não há santo que nos acuda!
Tudo o que fazemos é sem rede, sem preparação, sem certezas.. Não há segundas oportunidades, não há ensaios possíveis, não há formulas definidas nem poções mágicas que resolvam todos os males! Nem tão pouco um raio dum livro de instruções, daqueles só com imagens, que nos possa facilitar a tarefa e garantir que estamos a fazer a coisa bem! Ou uma espécie de mapa do tesouro, também servia. Mas não, não há nada. Nem um único facilitador. Sai-nos tudo do couro e muitas vezes bem sofrido...

Devo confessar, que às vezes me sinto um bocadinho traída por todas as outras mães (incluindo a minha!); então como é que em tantos anos ninguém nos explica, ninguém nos conta a verdade sobre isto?!

Porque é que ninguém nos diz que há tantas noites sem dormir, tantas fraldas para mudar?? Como é que ninguém nos avisa que aquilo do sono de bebé, só pode ter sido dito por alguém nunca teve um bebé??
Como é que ninguém nos disse que a seguir ao parto vêm as cólicas, e depois disso os dentes, e de seguida os primeiros passos trazem as quedas, e depois é o desfralde e após isso as birras e so on, so on...


Eu devia ter desconfiado, quando enjoei nove meses (pronto, estou a exagerar, num caso foram só cinco e no outro oito - mas só porque ela nasceu antes da hora! ) e percebi que a gravidez, sendo um estado de graça, também o era de desgraça!

Porque é que ninguém nos avisou que vamos amar tanto aquelas criaturinhas minúsculas que nos vai custar dar um passo sem eles? E não é porque eles chorem ou sintam a nossa falta! Somos nós, adultos responsáveis e bem resolvidos, que vamos chorar que nem desalmados assim que os entregamos nos braços alheios..

Como é que nenhum médico classificou ainda estes casos, gravíssimos, em que o coração das pessoas passa a andar fora do seu peito e, ainda assim, continuamos vivas; aliás, estamos mais vivas do que nunca!


O Natal


Julgo que, em criança, o vivenciei da forma inocente que hoje vejo nos olhos da minha filha, com a mesma alegria, com magia semelhante. Se fechar os olhos, juro que consigo sentir o cheiro a resina espalhar-se pela casa logo que o meu pai, ao cair da noite entrava com o símbolo do espirito natalício. Recordo as bolas, as fitas, os chocolates. Do presépio, relíquia de família, há muito recebida pela minha mãe e tia, sobreposto em veludo verde, a imitar o musgo. Do sapatinho colocado a chaminé, para que, no dia seguinte, ansiosa, abrisse a lembrança lá deixada por um menino que nunca vira.

Pouco me importa, agora, que fossem crenças, mentiras até, porque me permitiram ser muito, muito feliz!

Se mais tarde, na minha vida o espirito natalício se apagou, a verdade e que voltou a renascer, com o brilho dos olhos de uma criança, com a alegria das suas gargalhadas! Para te proporcionar momentos únicos, de deleite, de felicidade, minha filha!

 Love u!
To the moon and back!
Over and over again

Dezembro, meu Dezembro


Dezembro e o meu mês. Do meu aniversario, de iniciar o MEU ano novo. Por isso Dezembro sempre foi, para mim, altura de balanços, de reflexões. De ponderar, de decidir, de reflectir, de recuar, de avancar, ate de retroceder. Em Dezembro e como se iniciasse um novo caderno, limpinho, cheio de folhas, lisinhas, com aquele cheirinho inconfundivel a novo, pronto a escrever, a encher de coisas bonitas!

Dezembro tem cheiro a Natal, a familia.
Tem cheiro a resi
na, que chegava, a boca da noite, pelas mãos do meu pai, pronta a encher a casa e a ser decorada com chocolates.
Tem cheiro a popias, fritas e reboladas em açúcar e canela. Tem cheiro as filhós de que não gosto. 

Tem cheiro a ansiedade de descobrir no sapatinho o miminho deixado por um menino Jesus, que dormitava nas palhinhas do presépio que hoje protejo religiosamente.
Tem cheiro aos meus avos, com a vida tem sido tao dura. Tem cheiro aos meus queridos tios avos, que já se foram e de quem guardo tao boas recordações.
Tem cheiro a magia, a inocência... Perdida.

Dezembro tem, hoje, cheiro a esta inocência, que se recria nos olhos da minha filha, por quem voltei a descobri a magia, a quem espero cultivar a inocência! Dezembro continua a encher.me o coração!




O sono (ou a falta que faz...)

Sempre gostei de dormir!

Até tarde, nas longas manhas, de Inverno, de Verão, de preferência até me chegar um cheirinho delicioso de um pequeno almoço feito com o maior dos amores (♥ mãe!).
Dormir, para mim, sempre foi um prazer, um carregar de energias, quase como um virar de página.

Mas, apenas recentemente (quase há 7 anos, para ser mais precisa!) descobri a verdadeira importância e complexidade do sono... Importância porque, além de uma prazer, é, indubitavelmente, uma necessidade, e complexidade pois, ao contrário do que todos julgamos, não se dorme "quando se quer".

Com o nascimento da minha filha mais velha alteraram-se (temo que para sempre...) os padrões de sono nesta casa e se antes a coisa se fazia com igualdade passaram a ser dois contra um... e os meus momentos de sono passaram a ser cada vez mais difíceis e escassos.. 

Quase todos os que privam de perto connosco sabem que a C. tem, desde sempre, uma relação difícil (diria até conflituosa!) com o sono. O malvado ataca-a mas ela, talvez por não ter percebido a sua importância, luta contra e ele e procura afasta-lo de todas as maneiras e feitios como se de um inimigo atroz se tratasse... Minha pequena palerma.

Verdade se diga que, com o tempo, a situação tem vindo a melhorar e, neste momento, posso dizer (ainda que com receio, que estas coisas nunca se devem proferir em voz alta...) que atingimos uma rotina confortável e, graças a Deus, alguma estabilidade no que toca aos sonos e à rotina de dormir! Que se tornou um prazer cada vez mais raro, mas que jamais substituiria por cada momento vivido nos últimos (quase!) seis anos!

E vocês, dormem bem?



Atirar pedras ao ar


Quantas vezes ouvimos, de uma boca indignada e tão, mas tão cheia de razão (daquela que e sempre maior que a dos outros! ) proferir as tao assertivas palavras "ai, se fosse meu filho!" ou ainda "se fosse comigo, ia ver..." ou ainda, top of the top para mim e tantas, tantas vezes a ouvi: deixa-o/a aqui comigo uns dias que vais ver! Quantas, quantas vezes as ouvimos ja proferir? E quantas outras fomos nos a proferi-las?... Ah, pois e... Também já voaram da nossa boca.

No tempo a.C. também eu tive dom, essa clarividência, de me julgar detentora da sapiência suficiente para saber resolver os incidentes com os filhos dos outros e as malandras das palavras, cheias de razão, cruzavam-me o espirito algumas vezes, quais misseis teleguiados e dirigidos, provavelmente, a alguns pais tao desesperados como eu, d.C. tantas já me encontrei , se Deus quiser, hei-de encontrar no futuro!

Quantas vezes vimos, no supermercado ou noutra loja qualquer, uma criança que esperneia freneticamente, atingindo o seu embaraçado progenitor, na ansia de levar consigo o pavoroso e excessivamente caro artefacto, certamente imprescindível na sua (já infinita) coleção de outros tantos artefactos vitais a sua sobrevivência enquanto criança?
Quantas? E de todas elas, quantas pensamos, ou mesmo proferimos as ditas palavras? Quantas vezes atiramos ao ar estas escarretas (ai, escarretas nao, que isto fica mal aqui!)

E, afinal, se fosse comigo, o quê?! Ia ver o quê? Não ia ver nada! Abslutamente coisa nenhuma! Ia fazer a mesma birra, igualzinha, ou ainda maior, quicá! Ia embaraçar-nos, irritar-nos ate ao tutano, fazer-nos crescer uma vontade descomunal de lhe dar um valente par (ou até mais que uma, vá!) de acoites (ah, e verdade, isso também e incorreto, antipedagógico e outras coisas mais começadas em in ou em anti, e por isso, não se pode!) e, muitas vezes, agindo erradamente, e sabemos disso (obviamente não somos parvos, só estamos cansados, envergonhados e queremos sair dali) deixamo-lo/a levar a melhor. Compramos-lhe a porcaria do brinquedo ou seja la o que for para ver se a criancinha se cala e se descolam de nos todos os olhares das pessoas de bem, cujos filhos, muitas vezes ainda imaginários, jamais fariam semelhante coisa!

E tumba, lá apanhamos com outra escarreta que, anos antes, quando os nossos filhos também eram ainda e só hipotéticos, atirávamos ao ar: "ah, era o que faltava, fazer-lhe todas as vontades! Comprar-lhe porcarias só para não chorarem, não rasgam a boca!"

E de escarreta em escarreta, ai, desculpem, que coisa feia e nojenta, vá, de pedrinha em pedrinha temos a cabeça cheia de galos! E mesmo assim há gente que não aprende...

Boa noite!

Seremos donos do mundo?



Durante grande parte da minha vida, talvez numa onda sonhadora e utópica, acreditei que detinha as rédeas do meu destino. Que a minha vida e tudo o que nela acontecesse apenas de mim dependeria. Tinha cá para mim que era mesmo assim, que querer era poder! 

Julgo até que acreditei que poderia mudar o mundo. Vá, o Mundo (todo, todinho) não, que eu sempre soube que não tinha veia de Madre Teresa (infelizmente...) nem coisa que o valha, mas, dentro das minhas capacidades exímias ...
de comum mortal, achei que poderia causar a diferença junto do mundo que me rodeava.
Fui feliz, pois deixa-nos livre esta crença, de sermos assim, donos do mundo, dos nossos sonhos, de nos mesmos. 

Mais tarde percebi, como em tudo na vida, que, nem sempre, as coisas dependem apenas das nossas crenças ou tão pouco da nossa humilde vontade, por muito que ela nos mova. Percebi que, para mudar o mundo e preciso muito mais do que apenas um a querer, que temos que ser mais e caminhar, todos, na mesma direção.
Percebi que, afinal, se calhar, vai na volta, não somos assim tao donos da nossa vontade. E, bem no fundo, isto entristece-me, faz-me perceber que cresci, e que já não sou capaz de sonhar da mesma forma, livre, solta e despreocupada...