quarta-feira, 11 de maio de 2016

A minha filha é uma desportista nata!!!
Na TV passa uma reportagem sobre os peregrinos de Fátima, em que o rodapé menciona qualquer coisa sobre caminhadas.
- Mãe, quando for grande tb vou fazer aquelas caminhadas.
- Sim? Então, parece-me boa ideia.
- É longe?
- Sim, é um bocadinho.
Silêncio.
- Mãe, é a pé?
- Sim, filha, caminhadas são a pé!!
- Ah, então, tenho que ir ao colo do meu marido!!!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Amamentação, na óptica do utilizador (ou antes, do fornecedor)


Quando as minhas filhas nasceram, passado pouco tempo, meti-as à mama. Correu bem. Com as duas. Mamaram o tempo que lhes apeteceu e ali ficámos as duas, naquele momento tão nosso, independentemente das inúmeras pessoas que circulavam à nossa volta. Alheámo-nos, criando um laço. Eu, embevecida com a beleza de cada um daqueles serezinhos minúsculos que crescera dentro de mim e, ainda há momentos atrás carregava no ventre e já agora ali estava, a aspirar o mundo através daqueles olhos enormes que ambas tinham; aliás a única coisa enorme que ambas tinham! Elas, provavelmente assustadas perante a imensidão do que acabara de lhes acontecer, a procurar consolo em mim, o único cheiro familiar.

Passadas algumas horas do seu nascimento, pedi que ma trouxessem. Via-a, de olhos abertos, choramingando, a perscrutar tudo ao seu redor; não sei se ansiava por mim, ali, solitária naquele berço de plástico, mas eu, de ventre rasgado e vazio, assim, despojado dela em minutos, ansiava pelo seu toque, o seu cheiro, o seu calor. Se calhar, vou ver se quer mamar.

Alto lá!Mamar? Já? Então mas a que horas deu de mamar? Há quanto tempo foi? E quanto tempo mamou? Isso é assim? Dá-se de mamar sem mais nem menos?

Ah, eu pensava que sim! Que se dava de mamar "sem mais nem menos"; sacava-se da mama, pegava-se na criança e, sem mais nem menos, dava-se de mamar. Se ela quisesse, pois claro! Se não quisesse era porque não tinha fome. Pois diz que não. Afinal tem que se esperar, no mínimo 3h. Senão é dieta.  Depois, é que pode mamar. E, claro, tem que se ver que horas são. Tem que se cronometrar quanto tempo mama, porque a vida é mesmo assim e hoje em dia cronometra-se tudo. Pois claro, estupidez a minha. Chegue-me o telemóvel, para ver as horas sff..

Muda-se o turno. Então, como passou a menina? Mamou bem? pegou bem na mama? Já mamou há quase 3h? Alto lá!! Então uma menina tão pequenina, com tão pouco peso, não pode ficar tantas horas sem mamar. Tem que oferecer ao fim das 2h.

Ah, pensava que não... Que era ao fim de 3h, no mínimo.Pois claro que não. Se a criança é pequena não pode estar tanto tempo sem mamar. Acorda-se e dá-se mama. Pois claro, estupidez a minha.

Alto lá! Então a menina está a dormir e vai levantá-la? Ai que grande asneira! Não se acorda um bebé para mamar! Quando tem fome ele acorda!

Ah, pensava que tinha que se acordar... Para não passar muito tempo. Porque os bebés assim, pequeninos, como a minha têm que mamar muito. Muitas vezes. Pois claro, estupidez a minha. Deixa-se dormir. Claro que sim.

Alto lá! A menina perdeu peso! Mamou a que horas? Quanto tempo mamou? Isso foi há quanto tempo? Tire leite. Esprema as mamas. Temos que ver quanto mama. Vamos dar suplemento.

Ah, mas eu pensava que (quase) todos os bebés perdem peso. Que é normal. Que só quando é excessivo é preocupante. Vamos lá oferecer suplemento. Cerra os lábios filha. Cerra os lábios.

Alto lá! A menina não quer? Você estará a fazer isso como deve ser? venha lá ao quadro que vamos avaliar! Dou eu que sou perita.

(...)

ALTO LÁ!!
Afinal, isto de dar mama tem muito que se lhe diga. Não é instinto natural, como julgamos. Tem regras, muitas regras; mais do alguma vez eu ou as minhas filhas pudemos supor. E, confesso-vos já aqui, tivesse este cenário ocorrido com a minha filha mais velha e a amamentação tinha ficado logo, logo por ali!

Nos dias de festa...



Nos dias de festa convidamos todos a quem queremos bem. Aqueles de quem gostamos e que queremos ter ao nosso lado. Podemos até não estar sempre juntos, mas se são importantes, queremo-los connosco! Vale a pena! Partilham-se as boas notícias, os momentos mágicos, a alegria!

Então e nos dias mais tristes, menos bons?
Não fazemos convites, porque os tempos não são de festa. Mas, embora muitas vezes o desejo seja embrenharmo-nos desesperadamente na solidão, são de partilha.

E, afortunados somos nós, se temos aqueles a quem queremos percebem isso. Se estão presentes para nos dar um abraço. Só um abraço, apertado, sem palavras, porque pouco importam as legendas, mas sim as imagens, os toques. Afortunados somos nós se, na solidão temos um ombro que partilha connosco a festa mas, sobretudo a tristeza; porque é na tristeza que se se vai percebendo quem fica. Quem deve ir. Quem devemos manter.

domingo, 6 de março de 2016

A inocência perdida às mãos de um pequeno déspota



(imagem retirada da net)

Recordo-me, quase que ironicamente, de, aquando da minha primeira gravidez, ter feito planos para o decurso da minha licença de maternidade; mesmo agora, com o distanciamento que o tempo e a experiência nos concedem, não consigo perceber se era inocência, esperança ou estupidez pura! :)

Não fiz grandes planos, mas, vivendo uma gravidez que implicava uma viagem diária de 140 km, os mesmos incluíam descanso, passeios e todas essas coisas relaxantes que qualquer pessoa com um recém nascido em casa, obviamente, pode facilmente fazer (or not)!! 

Não, eu não vivia noutro planeta! 

Sabia perfeitamente que os bebés dão (muito) trabalho, que mamam como uns bezerrinhos esfomeados, que sujam fraldas a cada mamada (às vezes antes e depois!), bolsam, sem querer saber se já estamos prontinhas para sair de casa ou que sejam 4 horas da manhã, (e lá temos que mudar toda a parafernália de bodies e calcinhas, apertando e desapertando molas minusculas que parecem ficar ainda mais complicadas a cada guinchadela que a cria solta no decurso do processo), que choram, quando sentem fome, a fralda suja, má disposição, cólicas, sono e mais uma infinidade de coisas. Eu sabia disto tudo! A sério que sabia, mas, achava eu, na minha inocência (desmedida, pois claro!), que eles dormiam na mesma proporção de que faziam todas essas coisas.. Erro meu!! 

Na verdade, meu e daquele que terá dito a célebre (e tão errónea!) frase "dormiu como um bebé"! Raios, como é que alguém nos pode enganar tanto, durante toda uma vida?! "Ah, e tal, dormiu que nem um bebé!" A pessoa assume que, no final de contas, os bebés dormem muito! E mais, assume que dormem bem! 

E de seguida somos brindados com um bebé que dorme pouco e mal..

Pronto, se calhar o erro foi do meu bebé, talvez mal configurado, mal formatado ou coisa que o valha (filha número dois, vê lá se desta vez vens devidamente configurada !).. E, num ápice vão-se todos os planos de qualquer espécie de relaxamento. Assim, de uma acentada só, que é para não haver mais ilusões e inocências, às mãos de um serzinho minúsculo, que acaba por se revelar um verdadeiro déspota controlador, mas que, ainda assim, numa relação de amor doentio, amamos mais a cada dia! 

terça-feira, 1 de março de 2016

Ter o coração fora do peito...



Pensei várias vezes no título deste post e, ainda que seja quase um lugar comum, a verdade é que nenhum outro me pareceu mais adequado.
Ser mãe é, de facto, na minha óptica (de utilizadora!) andar com o coração sempre nas mãos!

Isto poderá parecer um exagero, ou até demasiado pessimista, e assustar aquelas que ainda não são mães, mas é assim que o sinto. Não quero com isto que pensem que não me sinto feliz no meu papel de mãe, longe disso; é, de todos os papeis que tenho desempenhado ao longo da vida, aquele que mais me preenche e mais me completa, mas é também o mais difícil. Não há deixas, não há contraponto, não há santo que nos acuda!
Tudo o que fazemos é sem rede, sem preparação, sem certezas.. Não há segundas oportunidades, não há ensaios possíveis, não há formulas definidas nem poções mágicas que resolvam todos os males! Nem tão pouco um raio dum livro de instruções, daqueles só com imagens, que nos possa facilitar a tarefa e garantir que estamos a fazer a coisa bem! Ou uma espécie de mapa do tesouro, também servia. Mas não, não há nada. Nem um único facilitador. Sai-nos tudo do couro e muitas vezes bem sofrido...

Devo confessar, que às vezes me sinto um bocadinho traída por todas as outras mães (incluindo a minha!); então como é que em tantos anos ninguém nos explica, ninguém nos conta a verdade sobre isto?!

Porque é que ninguém nos diz que há tantas noites sem dormir, tantas fraldas para mudar?? Como é que ninguém nos avisa que aquilo do sono de bebé, só pode ter sido dito por alguém nunca teve um bebé??
Como é que ninguém nos disse que a seguir ao parto vêm as cólicas, e depois disso os dentes, e de seguida os primeiros passos trazem as quedas, e depois é o desfralde e após isso as birras e so on, so on...


Eu devia ter desconfiado, quando enjoei nove meses (pronto, estou a exagerar, num caso foram só cinco e no outro oito - mas só porque ela nasceu antes da hora! ) e percebi que a gravidez, sendo um estado de graça, também o era de desgraça!

Porque é que ninguém nos avisou que vamos amar tanto aquelas criaturinhas minúsculas que nos vai custar dar um passo sem eles? E não é porque eles chorem ou sintam a nossa falta! Somos nós, adultos responsáveis e bem resolvidos, que vamos chorar que nem desalmados assim que os entregamos nos braços alheios..

Como é que nenhum médico classificou ainda estes casos, gravíssimos, em que o coração das pessoas passa a andar fora do seu peito e, ainda assim, continuamos vivas; aliás, estamos mais vivas do que nunca!


O Natal


Julgo que, em criança, o vivenciei da forma inocente que hoje vejo nos olhos da minha filha, com a mesma alegria, com magia semelhante. Se fechar os olhos, juro que consigo sentir o cheiro a resina espalhar-se pela casa logo que o meu pai, ao cair da noite entrava com o símbolo do espirito natalício. Recordo as bolas, as fitas, os chocolates. Do presépio, relíquia de família, há muito recebida pela minha mãe e tia, sobreposto em veludo verde, a imitar o musgo. Do sapatinho colocado a chaminé, para que, no dia seguinte, ansiosa, abrisse a lembrança lá deixada por um menino que nunca vira.

Pouco me importa, agora, que fossem crenças, mentiras até, porque me permitiram ser muito, muito feliz!

Se mais tarde, na minha vida o espirito natalício se apagou, a verdade e que voltou a renascer, com o brilho dos olhos de uma criança, com a alegria das suas gargalhadas! Para te proporcionar momentos únicos, de deleite, de felicidade, minha filha!

 Love u!
To the moon and back!
Over and over again

Dezembro, meu Dezembro


Dezembro e o meu mês. Do meu aniversario, de iniciar o MEU ano novo. Por isso Dezembro sempre foi, para mim, altura de balanços, de reflexões. De ponderar, de decidir, de reflectir, de recuar, de avancar, ate de retroceder. Em Dezembro e como se iniciasse um novo caderno, limpinho, cheio de folhas, lisinhas, com aquele cheirinho inconfundivel a novo, pronto a escrever, a encher de coisas bonitas!

Dezembro tem cheiro a Natal, a familia.
Tem cheiro a resi
na, que chegava, a boca da noite, pelas mãos do meu pai, pronta a encher a casa e a ser decorada com chocolates.
Tem cheiro a popias, fritas e reboladas em açúcar e canela. Tem cheiro as filhós de que não gosto. 

Tem cheiro a ansiedade de descobrir no sapatinho o miminho deixado por um menino Jesus, que dormitava nas palhinhas do presépio que hoje protejo religiosamente.
Tem cheiro aos meus avos, com a vida tem sido tao dura. Tem cheiro aos meus queridos tios avos, que já se foram e de quem guardo tao boas recordações.
Tem cheiro a magia, a inocência... Perdida.

Dezembro tem, hoje, cheiro a esta inocência, que se recria nos olhos da minha filha, por quem voltei a descobri a magia, a quem espero cultivar a inocência! Dezembro continua a encher.me o coração!




O sono (ou a falta que faz...)

Sempre gostei de dormir!

Até tarde, nas longas manhas, de Inverno, de Verão, de preferência até me chegar um cheirinho delicioso de um pequeno almoço feito com o maior dos amores (♥ mãe!).
Dormir, para mim, sempre foi um prazer, um carregar de energias, quase como um virar de página.

Mas, apenas recentemente (quase há 7 anos, para ser mais precisa!) descobri a verdadeira importância e complexidade do sono... Importância porque, além de uma prazer, é, indubitavelmente, uma necessidade, e complexidade pois, ao contrário do que todos julgamos, não se dorme "quando se quer".

Com o nascimento da minha filha mais velha alteraram-se (temo que para sempre...) os padrões de sono nesta casa e se antes a coisa se fazia com igualdade passaram a ser dois contra um... e os meus momentos de sono passaram a ser cada vez mais difíceis e escassos.. 

Quase todos os que privam de perto connosco sabem que a C. tem, desde sempre, uma relação difícil (diria até conflituosa!) com o sono. O malvado ataca-a mas ela, talvez por não ter percebido a sua importância, luta contra e ele e procura afasta-lo de todas as maneiras e feitios como se de um inimigo atroz se tratasse... Minha pequena palerma.

Verdade se diga que, com o tempo, a situação tem vindo a melhorar e, neste momento, posso dizer (ainda que com receio, que estas coisas nunca se devem proferir em voz alta...) que atingimos uma rotina confortável e, graças a Deus, alguma estabilidade no que toca aos sonos e à rotina de dormir! Que se tornou um prazer cada vez mais raro, mas que jamais substituiria por cada momento vivido nos últimos (quase!) seis anos!

E vocês, dormem bem?



Atirar pedras ao ar


Quantas vezes ouvimos, de uma boca indignada e tão, mas tão cheia de razão (daquela que e sempre maior que a dos outros! ) proferir as tao assertivas palavras "ai, se fosse meu filho!" ou ainda "se fosse comigo, ia ver..." ou ainda, top of the top para mim e tantas, tantas vezes a ouvi: deixa-o/a aqui comigo uns dias que vais ver! Quantas, quantas vezes as ouvimos ja proferir? E quantas outras fomos nos a proferi-las?... Ah, pois e... Também já voaram da nossa boca.

No tempo a.C. também eu tive dom, essa clarividência, de me julgar detentora da sapiência suficiente para saber resolver os incidentes com os filhos dos outros e as malandras das palavras, cheias de razão, cruzavam-me o espirito algumas vezes, quais misseis teleguiados e dirigidos, provavelmente, a alguns pais tao desesperados como eu, d.C. tantas já me encontrei , se Deus quiser, hei-de encontrar no futuro!

Quantas vezes vimos, no supermercado ou noutra loja qualquer, uma criança que esperneia freneticamente, atingindo o seu embaraçado progenitor, na ansia de levar consigo o pavoroso e excessivamente caro artefacto, certamente imprescindível na sua (já infinita) coleção de outros tantos artefactos vitais a sua sobrevivência enquanto criança?
Quantas? E de todas elas, quantas pensamos, ou mesmo proferimos as ditas palavras? Quantas vezes atiramos ao ar estas escarretas (ai, escarretas nao, que isto fica mal aqui!)

E, afinal, se fosse comigo, o quê?! Ia ver o quê? Não ia ver nada! Abslutamente coisa nenhuma! Ia fazer a mesma birra, igualzinha, ou ainda maior, quicá! Ia embaraçar-nos, irritar-nos ate ao tutano, fazer-nos crescer uma vontade descomunal de lhe dar um valente par (ou até mais que uma, vá!) de acoites (ah, e verdade, isso também e incorreto, antipedagógico e outras coisas mais começadas em in ou em anti, e por isso, não se pode!) e, muitas vezes, agindo erradamente, e sabemos disso (obviamente não somos parvos, só estamos cansados, envergonhados e queremos sair dali) deixamo-lo/a levar a melhor. Compramos-lhe a porcaria do brinquedo ou seja la o que for para ver se a criancinha se cala e se descolam de nos todos os olhares das pessoas de bem, cujos filhos, muitas vezes ainda imaginários, jamais fariam semelhante coisa!

E tumba, lá apanhamos com outra escarreta que, anos antes, quando os nossos filhos também eram ainda e só hipotéticos, atirávamos ao ar: "ah, era o que faltava, fazer-lhe todas as vontades! Comprar-lhe porcarias só para não chorarem, não rasgam a boca!"

E de escarreta em escarreta, ai, desculpem, que coisa feia e nojenta, vá, de pedrinha em pedrinha temos a cabeça cheia de galos! E mesmo assim há gente que não aprende...

Boa noite!

Seremos donos do mundo?



Durante grande parte da minha vida, talvez numa onda sonhadora e utópica, acreditei que detinha as rédeas do meu destino. Que a minha vida e tudo o que nela acontecesse apenas de mim dependeria. Tinha cá para mim que era mesmo assim, que querer era poder! 

Julgo até que acreditei que poderia mudar o mundo. Vá, o Mundo (todo, todinho) não, que eu sempre soube que não tinha veia de Madre Teresa (infelizmente...) nem coisa que o valha, mas, dentro das minhas capacidades exímias ...
de comum mortal, achei que poderia causar a diferença junto do mundo que me rodeava.
Fui feliz, pois deixa-nos livre esta crença, de sermos assim, donos do mundo, dos nossos sonhos, de nos mesmos. 

Mais tarde percebi, como em tudo na vida, que, nem sempre, as coisas dependem apenas das nossas crenças ou tão pouco da nossa humilde vontade, por muito que ela nos mova. Percebi que, para mudar o mundo e preciso muito mais do que apenas um a querer, que temos que ser mais e caminhar, todos, na mesma direção.
Percebi que, afinal, se calhar, vai na volta, não somos assim tao donos da nossa vontade. E, bem no fundo, isto entristece-me, faz-me perceber que cresci, e que já não sou capaz de sonhar da mesma forma, livre, solta e despreocupada...

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


Amigos



Um amigo... Ah, que falta que nos faz um amigo.
Daqueles a valer!
Que dão tudo para nos fazer felizes, para passar um bom momento ao nosso lado. Daqueles que mesmo mesmo não concordando com as nossas decisões se mantêm lá, firmes e hirtos, a segurar a nossa mão e a secar as lágrimas que já não somos capazes de esconder. Daqueles que mesmo sabendo que estamos a errar e, depois de nos mostrarem sabiamente o caminho que teimamos em não escolher, se mantêm ao nosso lado, na esc...
uridão, só para sabermos que não estamos sós. Daqueles que riem connosco, mas que também nos acompanham nas nossas lágrimas. Daqueles que nos dão um abraço apertado sem perguntar porque choramos. Daqueles que ficam felizes com a nossa felicidade. Daqueles que escolhemos para ser a nossa outra família. Daqueles que amamos, incondicionalmente. Daqueles que sabemos que estão sempre lá.
é destes que quero ser!
heart emoticon





Caminhos



Percorremos o nosso caminho, cruzando-nos com os demais, sendo mais ou menos marcados pela sua presença. Qual formiguinha atarefada na busca de um grão que ench...a a sua despensa, corremos entre a multidão, fixados em objetivos, uns deveras importantes, outro nem tanto, e até em futilidades diversas. Corremos, sempre, todos os dias da nossa vida. Sem perceber que a cada dia que corremos é mais um que ficou para trás, muitas vezes vazio daquilo que é importante; porque muitas vezes distanciamo-nos daquilo que é verdadeiramente importante.
Julgamo-nos imunes, protegidos por uma espécie de aura que nos afugenta todo e qualquer tipo de problema ou incomodo. Simplesmente não pensamos, continuamos, dia após dia, qual formiguinha no carreiro.
E quantas vezes a vida nos "acorda" puxando-nos o tapete, virando-nos a vida de pernas para o ar?
Afinal, não somos imunes. Afinal não temos nenhum "cartão" que nos salve, porque, simplesmente a vida não é um jogo. Afinal, não é só ao vizinho do lado. E, ainda mais duro, não é tão fácil de superar como, no nosso papel de espectador, um dia, julgamos...

Afinal castiga-se ou não se castiga?




Li há pouco um artigo de um conceituado expert nesta matéria que são os filhos dos outros, (que partilho de seguida) e devo confessar que fiquei baralhada. E até talvez um pouco revoltada!!


Então, oh mãe, andaste tu a obrigar-me a comer e não era preciso??
Ando a fazer o mesmo à miúda (embora tu agora te tenhas passado para o outro lado da barricada e me olhes também como se eu fosse o inimigo que tenta torturar o teu pelotão) e, afinal, não era necessário e NINGUÉM me tinha ainda avisado? Não acho isto muito bonito, não acho não senhor.. Verduras então esqueçam lá isso senão os miúdos ficam de estômago dilatado!

  os castigos também são apenas fruto de mentes distorcidas, sendo assim como a minha, que achava que o castigo seria, de facto, eficaz, sobretudo tendo em conta que mais nada é...



Então, afinal, basta esperar, será isso? Que a coisa passe, que se acalme, que mude e passe a gostar de verduras (eu não gosto de caldo verde, mas mãe, espera, pode ser que passe!)


Leiam vocês e ajude-me lá que eu fiquei um bocadinho mais baralhada do que o normal...


http://observador.pt/2014/05/26/todos-os-castigos-sao-inuteis-diz-o-pediatra-contra-carlos-gonzalez/

O silêncio e eu




Gosto de escrever, assim, no silêncio. Ou deveria antes dizer: gosto de escrever. Gosto do silêncio. Mas só um pouco, no final do dia, para me encontrar novamente, sem correr o risco de ter que salvar alguma Barbie de um sapato que teima em não tentar no pé de Cinderella ou mesmo de fazer as legendas de um desenho elaborado. Gosto desta réstia de solidão, que me permite (iupi!) ter o WC só para mim e, inclusivamente, fechar a porta se me apetecer e sem ser convocada, sem meu ...consentimento, obviamente, uma reunião para esse local!
Sempre gostei dessa solidão, talvez porque me habituei a ela desde sempre, sempre gostei do meu espaço, sem que isso fizesse de mim uma pessoa só. Mas hoje, tirando estes momentos que me sabem tao bem ao final do dia, que já vai longo, assusta-me o silêncio. Porque o silêncio é a ausência da C. E a sua ausência, mesmo que por um bom motivo é sempre penosa para mim.
Portanto, fica registado que eu, mulher do silêncio, das lides solitárias e serenas, agora, só gosto dele, assim em doses individuais, como se de um pequeno café se tratasse, curto e forte, com tempo suficiente para se saborear, mas não demasiado longo para esfriar. Agora, quero é agitação, burburinho, vá, gritaria mesmo, que eu grito que se farta e pronto! Quero-te aqui, perto, muito perto, já que se foi o tempo agridoce em que te podia guardar em mim e para mim!
Porque é no silêncio que se escrevem estes devaneios, que sem silencio seriam ainda mais loucos, fico mais um pouco, velando um sono que é bravio e agitado, simplesmente como tu.
Até amanhã!

Ferramentas??




Por acaso alguém tem por ai um utensílio de aperto??


- C., aquele trabalho tão giro que tinhas hoje na escola era sobre o quê?
- hum... Era da lua!
- Da lua?...

- Sim, foi uma história que a L. contou.
- Ai sim? Não conheço essa, contas-me?
- Ah, já não me lembro!
- Não??
- Não! Ontem deixei a cabeça aberta p'a arejar, quando me deitei e hoje de manhã esqueci-me de ape'tar, por isso desapareceu tudo!

a.C/ d.C.


A vida é feita de marcos, de etapas, umas que delineamos, outras que surgem, quase fruto do acaso, na nossa vida. Frequentemente, são esses marcos que diferenciam a nossa vida, que significam um ponto de viragem ou retorno e para quem tem filhos sabe que, sem duvida alguma, esse foi o ponto de viragem, o marco, o ponto (se calhar posso dizer mesmo de "não retorno"!) wink emoticon


A minha vida marca-se assim, ante da C. E depois da C. , quase como se de duas vidas distintas se tratassem. Uma primeira, mais "solta", mais despreocupada, mas tao leve no que respeita ao amor. E não o digo com leviandade, porque, quem me conhece bem, sabe, sempre fui de extremos, quando gosto, gosto muito; mas o amor de um filho... Ah, que loucura, que sentimento tao enorme, assustadoramente enorme, assim como que o coração que nos é arrancado do peito e passa a ter uma vontade própria e frenética.
é desse amor que eu vivo inebriada, em permanente loucura, nesta montanha russa em que se tornou a minha vida d. C..


E digo-o tão estupidamente feliz! Estupidamente, mesmo!
Diálogos estranhos acontecem nesta casa...

 Eu, faço um comentário (inocente) acerca da permanência de um insecto numa divisão da casa, referindo-me, obviamente ...à sra dona mosca que me zumbia aos ouvidos.
Responde-me o homem cá da casa, rindo, claro está:

- Então, são duas!
Como se não soubesse o que a casa gasta pergunto, estupidamente, claro:

- O quê??
A resposta rapidamente se faz soar, mas não do mentor e mas da pupila empenhada que é a sua (nossa, vá, ainda que uma pequena traidora será sempre minha!) filha:
- Sim, sao duas! Ela e a mãe! (Gargalhadas, muitas gargalhadas, de ambas as partes!).





Uma pobre mãe de família merece???



Devaneios destas (poucas e, por vezes, pouco lúcidas) horas em que o silêncio, finalmente, se instala, e os pensamentos afloram à velocidade da luz!
Partilhas tresloucadas e desassossegadas, sem nexo.
Só porque sim.