terça-feira, 1 de março de 2016


Atirar pedras ao ar


Quantas vezes ouvimos, de uma boca indignada e tão, mas tão cheia de razão (daquela que e sempre maior que a dos outros! ) proferir as tao assertivas palavras "ai, se fosse meu filho!" ou ainda "se fosse comigo, ia ver..." ou ainda, top of the top para mim e tantas, tantas vezes a ouvi: deixa-o/a aqui comigo uns dias que vais ver! Quantas, quantas vezes as ouvimos ja proferir? E quantas outras fomos nos a proferi-las?... Ah, pois e... Também já voaram da nossa boca.

No tempo a.C. também eu tive dom, essa clarividência, de me julgar detentora da sapiência suficiente para saber resolver os incidentes com os filhos dos outros e as malandras das palavras, cheias de razão, cruzavam-me o espirito algumas vezes, quais misseis teleguiados e dirigidos, provavelmente, a alguns pais tao desesperados como eu, d.C. tantas já me encontrei , se Deus quiser, hei-de encontrar no futuro!

Quantas vezes vimos, no supermercado ou noutra loja qualquer, uma criança que esperneia freneticamente, atingindo o seu embaraçado progenitor, na ansia de levar consigo o pavoroso e excessivamente caro artefacto, certamente imprescindível na sua (já infinita) coleção de outros tantos artefactos vitais a sua sobrevivência enquanto criança?
Quantas? E de todas elas, quantas pensamos, ou mesmo proferimos as ditas palavras? Quantas vezes atiramos ao ar estas escarretas (ai, escarretas nao, que isto fica mal aqui!)

E, afinal, se fosse comigo, o quê?! Ia ver o quê? Não ia ver nada! Abslutamente coisa nenhuma! Ia fazer a mesma birra, igualzinha, ou ainda maior, quicá! Ia embaraçar-nos, irritar-nos ate ao tutano, fazer-nos crescer uma vontade descomunal de lhe dar um valente par (ou até mais que uma, vá!) de acoites (ah, e verdade, isso também e incorreto, antipedagógico e outras coisas mais começadas em in ou em anti, e por isso, não se pode!) e, muitas vezes, agindo erradamente, e sabemos disso (obviamente não somos parvos, só estamos cansados, envergonhados e queremos sair dali) deixamo-lo/a levar a melhor. Compramos-lhe a porcaria do brinquedo ou seja la o que for para ver se a criancinha se cala e se descolam de nos todos os olhares das pessoas de bem, cujos filhos, muitas vezes ainda imaginários, jamais fariam semelhante coisa!

E tumba, lá apanhamos com outra escarreta que, anos antes, quando os nossos filhos também eram ainda e só hipotéticos, atirávamos ao ar: "ah, era o que faltava, fazer-lhe todas as vontades! Comprar-lhe porcarias só para não chorarem, não rasgam a boca!"

E de escarreta em escarreta, ai, desculpem, que coisa feia e nojenta, vá, de pedrinha em pedrinha temos a cabeça cheia de galos! E mesmo assim há gente que não aprende...

Boa noite!

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